Copa 2026 para brasileiros que assistem de fora: grupo, horários e o que muda

São 23 dias. Contando hoje.

Em 11 de junho, a Copa do Mundo começa nos Estados Unidos, no Canadá e no México — a primeira com 48 seleções na história. E eu estou aqui em Massachusetts essa semana, visitando a comunidade de Boston, pensando no que vai ser diferente desta vez. Porque vai ser diferente. É a minha segunda Copa morando fora do Brasil. A do Qatar foi a primeira — e essa comparação é o que me fez querer escrever este texto.

Mas primeiro: o básico, para quem está chegando sem saber o que esperar da chave do Brasil.

O torneio: formato novo, 48 seleções, final em julho

A Copa de 2026 é a maior da história. Quarenta e oito países classificados, divididos em doze grupos de quatro. Os dois primeiros de cada grupo avançam direto — e os oito melhores terceiros-colocados também, completando uma fase de 32 times que não existia antes. São 104 jogos no total, espalhados por três países anfitriões: Estados Unidos, Canadá e México. A final acontece em 19 de julho de 2026.

Os jogos do Brasil na Copa 2026: datas e horários

O Brasil caiu no Grupo C, ao lado de Marrocos, Haiti e Escócia. Os três jogos da fase de grupos são todos nos Estados Unidos:

  • 13 de junho — Brasil × Marrocos | MetLife Stadium, Nova Jersey | 23h BST / 18h ET
  • 19 de junho — Brasil × Haiti | Lincoln Financial Field, Filadélfia | 01h30 BST (dia 20) / 20h30 ET
  • 24 de junho — Escócia × Brasil | Hard Rock Stadium, Miami | 23h BST / 18h ET

Para quem assiste de Londres: dois jogos a meia-noite, um quase na madrugada. Para quem está na Costa Leste dos Estados Unidos — em Boston, em Miami, em Nova York — os horários são mais humanos. Vale salvar esses horários antes de marcar restaurante ou pub.

O grupo do Brasil — e o que mudou na seleção

Marrocos chegou na semifinal do Qatar 2022 — e desde então virou outra coisa. Haiti volta à Copa pela primeira vez desde 1974, mais de 50 anos depois. Escócia voltou pela primeira vez desde 1998, quando também caiu em grupo com Brasil e Marrocos — coincidência que os escoceses provavelmente não queriam repetir. O último jogo é em Miami, onde a comunidade brasileira é enorme: vai ter mais amarelo nas arquibancadas do Hard Rock Stadium do que a Escócia está esperando.

Na seleção, a mudança que vale nomear: Ancelotti é o primeiro técnico europeu da história do Brasil. Isso, dentro da mitologia do futebol brasileiro, é uma ruptura real — não é detalhe de escalação. Vinícius e Rodrygo continuam como as referências do ataque. Rodrygo é o cara que perdeu o pênalti no Qatar e precisou continuar jogando futebol depois disso — ninguém faz isso sem mudar alguma coisa por dentro.

Onde assistir os jogos da Copa perto de você

Tem um tipo de coisa que o Google não resolve bem: saber qual restaurante brasileiro do seu bairro vai estar de portas abertas às 23h de uma segunda-feira com a TV ligada no jogo, e qual vai ter guaraná no balcão quando você chegar de camisa amarela. Para isso, o caminho mais rápido é a seção de Comida Brasileira no Lista Brasil. Os anúncios são exatamente esses lugares: negócios que falam português, que entendem o que você quer dizer quando pede "aquele salgado", que vão saber por que você está batendo na porta às 22h45 com aquela cara de quem precisava estar em algum lugar que entendesse.

Não indico nomes específicos aqui — a descoberta pelo bairro, pelo horário de funcionamento, pelo que está mais perto de onde você dorme é a parte que o Lista Brasil faz melhor do que eu.

A Copa muda quando você assiste de fora

Novembro de 2022. Eu tinha chegado a Londres havia pouco — ainda tentando entender o metrô, ainda estranhando que chovia com sol ao mesmo tempo e que isso era normal e que ninguém comentava.

A Copa do Qatar caía num mês estranho: novembro, inverno chegando, e a Copa que a gente sempre assistiu em junho de repente acontecendo com casaco. Eu assisti quase todos os jogos do Brasil no laptop, sentada na cozinha do flat. O apartamento tinha dois outros moradores — nenhum brasileiro. Na hora dos jogos, eles não estavam em casa, ou estavam, mas não havia nada a dividir. A torcida era minha. O silêncio também.

Em BH, quando a gente perde uma Copa, perde junto. É coletivo: todo mundo reclamando no WhatsApp da família, vizinho de cara fechada no corredor, o bar na esquina cheio de gente processando em voz alta. A gente sabe o que é Copa de perto — o Mineirão carregou o peso do 7 a 1. Mas a gente não fala sobre isso.

O Brasil chegou nas quartas de final. Croácia. 0 a 0 no tempo normal. Na prorrogação, aos 105 minutos, o Neymar marcou — e deu aquela sensação que dá, a de que vai dar certo. Aos 117, Petković empatou. Nos pênaltis, o Rodrygo teve a cobrança defendida e o Marquinhos bateu na trave. E aí acabou. Assim. O Tite saiu logo depois.

Eu fiquei sentada na cozinha depois do apito final com uma sensação estranha que não era só tristeza. Era a saudade de ter com quem ficar triste. Esse primeiro período sozinha em Londres — sem os rituais, sem as pessoas, sem o script coletivo do luto esportivo — foi onde a saudade tinha um gosto diferente. Não de casa. De pertencer a algum lugar no momento em que alguma coisa importante estava acontecendo.

Quatro anos depois, a conta é diferente

Sei onde os brasileiros se reúnem em Stockwell quando tem jogo grande. Tenho o pub de quinta — o de sempre, o que virou rotina, aquele onde as conversas começam em inglês e terminam em qualquer coisa menos inglês. E sei que no dia 13 de junho pelo menos três dos amigos que aparecem lá vão aparecer de camisa amarela, mesmo que não dominem todas as regras.

Vai ter italiana fazendo análise tática real, daquela posição-por-posição que só quem cresceu com futebol sabe fazer, americano querendo entender como são noventa minutos sem parar, e polonês torcendo contra a Escócia por razões que ele vai explicar longamente entre a segunda e a terceira cerveja.

Mas o que ficou da Copa do Qatar foi outra coisa. Num dos jogos da fase de grupos — não lembro mais qual, lembro do frio e de ter chegado cedo demais — o pub não era brasileiro por acidente. Era um lugar qualquer perto de Stockwell, cheio de gente do mundo inteiro que não estava lá necessariamente pelo Brasil. Tinha uma colega coreana que tinha vindo junto porque não queria ficar em casa. Tinha um inglês que era regular do lugar e que, depois do primeiro gol, simplesmente começou a torcer junto. Não tinha escolhido o Brasil. Tinha escolhido a pessoa que estava mais visivelmente torcendo — que era eu, de camisa amarela, me traindo.

Quando o Brasil marcou, ele bateu na minha mão. Não disse nada. Bateu a mão, olhou de volta pro telão, e continuou tomando a cerveja dele. E aquilo — aquele gesto completamente sem drama — foi uma das coisas mais gentis que alguém me fez em Londres sem saber que estava fazendo.

No Brasil, quando um estranho torce com você, é porque são do mesmo time. Aqui, às vezes é porque você estava lá, e estava visivelmente sentindo alguma coisa, e a cidade tem um jeito muito britânico de reconhecer isso sem transformar em cena. Levou uns dois anos para eu aprender a ler isso como gentileza em vez de indiferença.

E vai ser ótimo.

Tem o modo flat — sozinho no laptop, saudade pura. Tem o bar brasileiro — necessário pelo menos uma vez por Copa, onde alguém grita em português e todo mundo entende. E tem o pub misto, esse que você literalmente não tem como ter no Brasil — e que precisa de uns anos fora para ler como festa. Não é menos. É diferente.

Isso é o que eu não sabia em 2022. Levo para o dia 13 de junho — e desta vez não vou estar sozinha na cozinha.

Como você vai assistir a Copa esse ano? De onde, com quem, no modo flat ou no modo pub — me conta aqui, fico curiosa.

Para Copa do Mundo ou para qualquer outro dia: quando bater vontade de um ingrediente brasileiro, de um restaurante que fala português, de uma padaria que vai ter guaraná no dia do jogo — o diretório está lá. Encontre os anúncios de Comida Brasileira perto de você no Lista Brasil — a geo-localização leva direto à sua cidade.