
Você tem o visto. Tem o emprego. Tem o apartamento, ou pelo menos o endereço provisório onde vai ficar na primeira semana. E aí você para, olha para a foto da família no celular, e a pergunta que deveria ter vindo antes de tudo chega com uns bons meses de atraso: e eles, como vêm?
Morar no UK com a família inteira é possível, e na maioria dos casos o caminho tem nome: o visto de dependente (dependant visa), vinculado ao visto de trabalho ou de estudo de quem veio primeiro. A boa notícia é que ele existe e funciona. A parte que pega é que quem pode vir, quando e quanto custa mudou bastante nos últimos dois anos, e muita gente ainda se planeja com informação velha.
Esse post é sobre essa rota: quem você pode trazer, o que mudou em julho de 2025, quanto o gov.uk pede que você tenha na conta e os documentos que precisam estar prontos antes de qualquer aplicação. Uma observação antes de começar: se você é casado com um cidadão britânico ou com alguém que já tem residência permanente, o seu caminho é outro (o Family visa, com regras próprias de renda), e ele merece um post só dele. Aqui o foco é quem traz a família vinculada ao próprio visto de trabalho ou estudo. No final, a gente fala do que vem depois do visto resolvido: a escola, a adaptação, e o que ninguém te conta sobre mudar com filhos pequenos pra uma cidade como Londres.
Quem pode trazer a família no visto de dependente
Se você veio para o UK com um Skilled Worker visa, um Student visa ou outro visto de pontos, a família pode pedir o visto de dependente vinculado ao seu. Cônjuge, parceiro civil ou parceiro não casado com ao menos dois anos de relacionamento comprovado, mais filhos menores de 18 anos. Cada um entra com uma solicitação separada, mas todas ficam amarradas ao seu visto principal.
Mas tem uma mudança recente que você precisa conhecer antes de qualquer planejamento.
O que mudou em julho de 2025 (e por que é importante)
Desde 22 de julho de 2025, a regra sobre quem pode trazer dependentes ficou mais restrita. Trabalhadores em cargos classificados como de nível médio (abaixo do equivalente a uma graduação universitária, o nível 6 da escala RQF britânica) que obtiveram o visto após essa data, em geral, não têm mais direito de trazer cônjuge e filhos como dependentes.
Existe uma exceção transitória: quem já estava empregado continuamente no UK nesse tipo de cargo antes de 22 de julho de 2025 mantém o direito. Mas para quem começa agora, o visto de dependente simplesmente não está disponível na maioria dessas funções.
Os cuidadores (care workers) são o caso mais visível: essa categoria enfrenta uma restrição parecida desde março de 2024. Quem chegou ao UK para trabalhar em cuidados domiciliares ou lares de idosos depois dessa data, salvo exceções bem específicas, não pode trazer parceiro nem filhos. Escrevi sobre esse visto em detalhes no post sobre Health and Care Worker visa. Vale ler se esse é o seu caso.
Se o seu cargo é de nível superior (o tipo de função que exige diploma universitário ou equivalente, o nível 6 da RQF ou acima), a restrição não se aplica e você segue podendo trazer a família.
Com o Student visa, a lógica é outra e também ficou mais apertada. Desde janeiro de 2024, só pode trazer dependentes quem está num doutorado (PhD) ou num programa de pós-graduação por pesquisa, ou quem é bolsista de um governo ou de um programa oficial por seis meses ou mais. Quem faz um mestrado ensinado (o taught master's, o formato mais comum) ou uma graduação não pode mais trazer cônjuge nem filhos. Se o seu plano era estudar e trazer a família junto, confirme em qual categoria o seu curso entra antes de qualquer coisa.
O que o gov.uk pede em termos financeiros
Para trazer dependentes nessa rota, você precisa demonstrar que tem fundos para sustentá-los. Os valores que o governo exige estarem na conta por pelo menos 28 dias consecutivos são: £285 para cônjuge ou parceiro, £315 pelo primeiro filho e £200 por cada filho adicional.
Esse requisito cai em dois casos: se todos os solicitantes já estão no UK há mais de um ano, ou se o empregador declara a manutenção financeira diretamente no Certificate of Sponsorship. Se você está trazendo a família já com algum tempo aqui, vale verificar se você se encaixa nessa exceção antes de mover dinheiro.
Além disso, cada dependente paga a IHS (Immigration Health Surcharge), a taxa de acesso ao NHS. O valor atual é de £1.035 por ano de visto, pago antecipadamente. Para uma família de quatro pessoas num visto de três anos, o cálculo sobe bastante antes mesmo de qualquer passagem de avião. Confirme o valor exato em gov.uk/immigration-health-surcharge antes de aplicar, porque esse número já mudou algumas vezes.
Os documentos que a família precisa ter em mãos
Para o cônjuge ou parceiro: certidão de casamento reconhecida, ou provas de coabitação por dois anos (contratos de aluguel, extratos bancários, correspondências nos dois nomes). Para filhos: certidão de nascimento, passaporte válido. Para todos: o número de referência do seu visto principal, que é o que vincula as solicitações.
O processo de aplicação é online, pelo portal UKVI. O prazo de decisão para dependentes costuma correr junto com o processo principal, mas aplicações separadas têm janelas próprias. Reserve um advogado de imigração para os casos complexos: uma rejeição por documentação incompleta na aplicação dos filhos pode atrasar a chegada por meses.
Escola pública gratuita para filhos de dependentes
Tem uma coisa que o UK não complica: filhos em visto de dependente têm acesso garantido à escola pública gratuita, do mesmo jeito que qualquer criança residente na Inglaterra. Desde a Educação Infantil até o final do secundário, o sistema não pede documentos de imigração para matricular uma criança.
O processo de conseguir a vaga, entender o sistema de Key Stages, o que é o catchment area e como funciona a matrícula fora de época já está todo explicado no guia que escrevi sobre como funciona a escola na Inglaterra. É o passo seguinte natural depois de resolver o visto, e eu recomendo ler antes da mudança, não depois. Algumas coisas têm prazo, e você não quer descobrir isso na semana em que o filho já está aqui.
Se o seu filho chega sem inglês, o sistema tem apoio específico (English as an Additional Language, EAL). A adaptação leva tempo e tem fases bem documentadas. Se você quiser reforço extra nas primeiras semanas ou meses, o Lista Brasil tem professores particulares e escolas de inglês cadastrados que trabalham com crianças brasileiras e entendem o que é chegar no meio do ano letivo sem falar a língua.
O lado que o visto não documenta: a mudança com filhos de verdade
Cuidei da parte burocrática. Agora deixa eu ser honesta sobre o resto.
Mudar com filhos pequenos para o UK é uma coisa diferente de mudar sozinho. Não é mais difícil necessariamente, mas é diferente. Você carrega a adaptação de cada um deles junto com a sua, e elas não têm o mesmo ritmo.
Vi famílias que chegaram em outubro e descrevem o primeiro inverno de Londres como o período mais duro de toda a jornada, não por causa do frio em si, mas porque a criança que estava bem em setembro começou a ficar quieta, a não querer ir pra escola, a perguntar toda semana quando voltam pro Brasil. E os pais que antes estavam ansiosos com burocracia se viram às 11 da noite no mesmo quarto, conversando com uma criança de sete anos sobre o que é saudade.
Isso não é alarme. É o que acontece. E acontece com quase todo mundo que muda com filhos. O segundo semestre costuma ser muito diferente do primeiro.
O que ajuda: não tentar resolver a adaptação do filho mais rápido do que ele consegue processar. Manter alguma coisa que ele reconheça do Brasil no dia a dia, seja um prato de comida, um jogo, um horário específico de ligação com os avós. E não fingir que a mudança foi fácil quando ele pergunta como você está.
Para a língua no longo prazo, o post sobre criar filho bilíngue no exterior vai direto nessa questão. Para o lado emocional da mudança (o seu, não só o dele), o post sobre saudade e saúde mental aqui em Londres tem coisas que eu gostaria de ter lido antes.
A logística financeira da mudança com família
Trazer mais pessoas significa mais custo de configuração: mais depósitos, mais taxas de visto, mais passagens. A conta que a maioria das famílias faz no Brasil ainda subestima o primeiro mês.
Tenho um guia inteiro sobre quanto dinheiro guardar antes de vir para o UK que inclui o cálculo do depósito de aluguel (5 semanas de aluguel por lei), o primeiro mês e o buffer de emergência. Para famílias, todos esses valores precisam ser revistos pra cima: dois dependentes adultos equivalem a mais ou menos o dobro dos custos de setup. E o post sobre como configurar luz, gás e internet cobre a parte do apartamento que você precisará resolver assim que tiver as chaves.
Se quiser uma visão geral do que resolver nos primeiros 30 dias depois que a família chegar, o checklist de chegada a Londres tem o passo a passo por ordem de prioridade: eVisa, NIN, NHS, conta bancária. Funciona para dependentes também, com pequenas variações.
Antes de encerrar: o documento mais ignorado de todos
Guarde uma cópia digital e física de todos os documentos do processo em dois lugares diferentes: um na nuvem, um num HD portátil ou pen drive. Passaporte, visto, certidão de nascimento, certidão de casamento, documentos de escola. O UK pede comprovação em momentos que você não espera: matrícula escolar, abertura de conta, registro no médico. A família que chega organizada ganha tempo nos primeiros meses que a família desorganizada passa correndo atrás de cartório em BH pedindo certidão com apostila urgente.
Aprendi isso do jeito menos prático. Você ainda dá tempo.
Se isso te ajudou a destravar o planejamento da vinda da família, me conta por aqui como está sendo esse processo, ou se ficou alguma dúvida que eu não cobri.
Vistos de dependente têm detalhes que mudam, e um erro na documentação pode atrasar meses. Se você está nessa etapa, o Lista Brasil tem advogados e consultores de imigração em Londres que atendem em português e conhecem o processo pelos dois lados. Porque algumas burocracias ficam muito mais simples com alguém do seu lado que sabe o que está fazendo.
## Fontes Ver arquivo completo em `.ai/blog-sources/morar-no-uk-com-familia-visto-de-dependente.md`. Resumo dos fatos verificados (2026-06-04): - Dependentes Rota A (Skilled Worker): cônjuge/parceiro (2+ anos), filhos <18. Fonte: gov.uk/skilled-worker-visa/your-partner-and-children - Mudança 22/07/2025: workers em cargos de nível médio sem emprego anterior a essa data não podem trazer dependentes. Fonte: gov.uk/skilled-worker-visa/your-partner-and-children (grandfathering clause verificada verbatim) - Manutenção financeira: £285 parceiro, £315 primeiro filho, £200 cada filho adicional, 28 dias consecutivos. Fonte: gov.uk/skilled-worker-visa/your-partner-and-children - Student visa dependentes: só PhD/pós-graduação por pesquisa ou bolsista de governo/programa oficial (6+ meses) desde 01/2024; mestrado ensinado e graduação não podem. Fonte: gov.uk/student-visa/family-members - IHS: £1.035/ano para a maioria dos vistos (exceto estudante £776/ano e care worker isento). Fonte: post-canon (cross-reference `vim-para-londres-com-visto-de-estudante-o-que-ninguem-me-contou`) - (Family visa / Appendix FM £29.000 movido para o post-irmão da semana seguinte; fora de escopo aqui.) - Taxa de candidatura ao visto de dependente: não citada no post — hedge "verifique em gov.uk/visa-costs" (valor muda frequentemente; não verificado em gov.uk nesta sessão) - Escola pública gratuita para dependentes: fato universal do sistema inglês; detalhado em cross-link `escola-na-inglaterra-guia-pais-brasileiros` (publicado 2026-06-02, verificado) Cross-links HEAD-checked 200 em 2026-06-04: - /comunidade/escola-na-inglaterra-guia-pais-brasileiros — 200 - /comunidade/quanto-dinheiro-guardar-antes-de-ir-para-o-uk — 200 - /comunidade/setup-de-contas-uk-luz-gas-internet — 200 - /comunidade/primeiros-30-dias-em-londres-checklist — 200 - /comunidade/saudade-saude-mental-brasileiros-em-londres — 200 - /comunidade/filho-bilingue-criar-no-exterior — 200